“Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das “CEBOLAS” e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná”.(Números 11:5-6)
Gostaria de compartilhar uma reflexão sobre essa passagem. Confesso que, ao ler esse texto, fui tomado de espanto e, de certo modo, de indignação, além de uma série de questionamentos do tipo: esse povo era doido? Como pode alguém se portar dessa forma? Para tornar mais clara a mensagem e facilitar a compreensão dos amigos que ainda não tiveram a oportunidade de ler essa passagem, preciso contextualizá-la:
Certo dia, Deus chamou Abrão, que mais tarde veio a receber o nome de Abraão, e lhe fez a promessa que faria dele e de sua descendência uma grande nação (Gêneses 12:1-3). Logo adiante, Deus prometeu dar a esse mesmo povo, que recebeu o nome de Israel, uma boa terra que mana leite e mel. (Êxodo 3:8).
Acontece que Israel veio a ser escravo no Egito, onde era afligido com dura servidão (Êxodo 1:13). Então o Senhor levantou um homem chamado Moisés e o fez libertador desse povo (Êxodo 3:10). Através da vida de Moisés, Deus fez muitos milagres como: as dez pragas do Egito (Êxodo 7:14-11:10), abriu o mar para povo passar (Êxodo 14:21), Deus protegia o povo com uma nuvem durante o dia, para aliviar o calor do deserto, e com uma coluna de fogo durante a noite para aliviar o frio (Êxodo 13:21) e durante a caminhada, Deus alimentava o povo com uma espécie de pão que fazia descer do céu com o orvalho, chamado maná (Êxodo 16:4).
Pois bem, por tudo isso eu me questionava: como pode um povo que vivenciou milagres diariamente durante tantos anos murmurar contra Deus porque estava com saudade da “cebola” do Egito?! Pensei: que povo ingrato! Bando de mal agradecidos! Rebeldes! E ainda se referir ao maná com desdenho ou desprezo, sem perceber que era algo que vinha de Deus...
E aí, entendeu o motivo da minha indignação?! Pois é... mas no mesmo instante, ainda quando me questionava sobre tudo isso, o Senhor me disse: Você também já se queixou muitas vezes com saudade da “cebola”! Espantado eu disse: quando Senhor? Então Ele me fez lembrar que, mesmo depois de ter provado algo bem mais precioso que o maná, a Salvação em Cristo Jesus (o pão espiritual que desceu do céu), muitas vezes senti saudade de coisas insignificantes como conversas improdutivas, reuniões com amigos que me afastavam da comunhão com Deus, vaidade, soberba, valorização do ego, arrogância, egoísmo... é amigo...essas eram as minhas “cebolas”!
Aquele povo provou de um pão material; nós, todavia, experimentamos algo superior, o pão espiritual (Jesus) e, ainda assim, muitas vezes, nos queixamos de pequenas coisas que o Senhor nos pede que abandonemos... Por isso está escrito que “aquele que lança mão no arado e olha para trás, não é digno do Reino dos céus”.
Convido-te a refletir sobre tudo o que foi dito e sobre qual a “cebola” que você tem sentido saudade... está na hora de deixar o “velho homem” para trás e seguir adiante... Caminhar na direção de Cristo, rever os valores que dão sentido a nossa vida. Rick Warren afirma que “À luz da eternidade os valores mudam”.
Paulo escrevendo aos efésios afirma: “quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.“ (Efésios 4: 22-24)
Que a graça e a paz do Senhor Jesus esteja sobre a vida de todos nós!
Diego Correia Ferreira Alencar, 16/08/2012.